Poesia

Os cachorros da minha rua

Por Quatro de Abril

Os cachorros da minha rua gritam, todos ao mesmo tempo, algumas vezes por dia. Me aborrece e me assusta.

Eles estão frustrados por não poderem sair de casa. Cachorro não foi feito pra viver em apartamento.

Eles vivem à espera de algo, que algo mude, que a vida volte; como não podem, esperam ouvir um grito para gritar também. O desespero dessa música dissonante e uníssona apavora as paredes da cidade.

Depois de alguns minutos, eles cansam. Todos param. Se instaura então o silêncio ruidoso dos carros e ônibus.

Se os carros correm lá fora, porque nós não podemos? gritam os cachorros.

Vocês não podem, diz o dono, é para o nosso bem.

O cachorro entende, mas grita.

O chão frio onde ele se deita está cheio de fezes.

Um comentário em “Os cachorros da minha rua

  1. É muito triste ver como alguns cachorros vivem presos, principalmente os cães de guarda. E pior ainda é a sensação, à noite, de abandono, daqueles cuja família não os permite entrar em casa. Choram e uivam de frio em meio ao breu. Enquanto o ser humano maltratar os animais, não haverá paz na face da Terra.

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